sexta-feira, 8 de abril de 2011

...lembrando do dia que peguei carona com um estranho.


Ele dirigiu cantando minhas canções preferidas

Fiquei o caminho inteiro a contemplar

Sem palavras, tormei-me toda ouvidos

Na verdade virei ouvidos e suspiros


Mas naquela ânsia de toda juventude

Não acostumei com aquela serenidade

Deveria. Antes de ter perdido aquela carona

Bem no meio da estrada.


Paguei ingresso pra viajar num barco furado

Sem saber nadar, joguei-me ao mar.

E como um cachorro perdido na enchente

Nadei. Ah, como nadei contra aquela correnteza.


Em solo firme cheguei, onde não chovia há um mês,

Mas não desisti de ter flores no jardim

Plantei. Mas naquela terra dura e seca

Jamais conseguiria criar raiz.


Olhei pra cima e mesmo sem ser alada, voei

Entre nuvens de algodão-doce e gelo

A toda velocidade, invadi a selva de pedra

Matando um leão por dia a dentadas, cresci.


Como a juventude, aquela ânsia, saciei.

Se antes, eu era toda ouvidos, hoje estou meio surda

O bocejo anda querendo habitar a casa do suspiro.

E hoje, só me falta a serenidade que encontrei naquela carona que perdi.



Pra ler ouvindo: Vermelho - Marcelo Camelo

Trago nesses pés o vento



terça-feira, 22 de março de 2011

...duplando os sentidos


Queria sair pra tomar alguma coisa,
podia ser um banho.
Parece que os últimos que tomei
não foram o suficiente.
Ainda tem aquele cheiro
que teima em não sair nem com álcool.
Podia ter bastante espuma...

"- o banho?"

Não, o champanhe

"- esse papo tá confuso"

Sabe aquele seu suéter vinho?
Eu bebi!


terça-feira, 15 de março de 2011

...no sedentarismo pacífico


Por onde andava... assobios
tinha potencial e caprichava no visual

Eram as pernas mais bonitas e torneadas

trabalhadas com muito choro
por um sobe-desce nos noites de briga

na Rua da escadaria


...jantando em família



- Tu tem que parar com essa formalidade.

- Por qual motivo?

- Isso é bom pra tua profissão, não pras relações interpessoais.

- Ah isso depende muito da profissão.

- Sim, mas quase todas precisam.

- Puta não.

[silêncio na sala de jantar]

segunda-feira, 14 de março de 2011

Bodas de Prata



Desfilava com o iPhone novo.
Só prestou atenção no "verde",
achou que era para pedestres e cruzou a rua.

Depois do ensurdecedor barulho de freio,
mais alto que o som da buzina,
só se ouviu o grito:

-VIADO!

Indignado, não por ter sido xingado,
mas por ter virado toda a Coca Cola na camisa branca,
abriu a janela e revidou:

"-OLHA POR ONDE ANDA! SUA...SUA... MAL AMADA!"

- SOU MESMO! E DAÍ?
VEM ME AMAR DIREITO,
QUE EU TE ENSINO A DIRIGIR.


quinta-feira, 22 de julho de 2010

Artigo: Professor-leitor

Artigo de autoria de Christiane de Souza, sobre a importância do professor-leitor, pode ser lido aqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Eu não gosto de Jorge Ben. Muito menos do Jorge Benjor. Não sei por que toda essa badalação, essa admiração por esse cara.

Pense bem e me cite: Uma grande letra do Jorge Ben? Uma grande mensagem de Jorge Benjor?

Talvez seja uma daquelas celebridades tropicais, que intensifica a nossa imagem lá fora e que dá uma cara cultural para o Brasil. Bullshit... Porque o Brasil, ou o brasileiro, pretenderia ser conhecido por tal música nonsense eviscerada?

E porque cargas d’água ele nunca tira aqueles óculos ridículos? Seria ele estrábico? Fica no ar mais esta pergunta.

No fundo, ele é apenas mais um rosto (de óculos) nesse mar de gente que não enobrece e não dá substância à nossa MPB. Que, aliás, de identidade anda carente a tempos.